Livro analisa legado da atuação dos jesuítas na cultura
Publicação faz uma abordagem sobre o prédio que abriga a Faculdade de Medicina da Ufba
Um dos mais belos exemplos da arquitetura colonial, o prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus, ainda hoje tira o fôlego de quem se permite um momento de contemplação deste monumento com suas dezenas de janelas. Fundado pelo padre Manoel da Nóbrega, o local abrigou, de 1553 a 1759, o Colégio da Companhia de Jesus, mais importante instituição educacional do Brasil-colônia.
É um pouco desta história que está presente no livro Arte Jesuíta no Brasil Colonial – Os reais colégios da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, queA TARDEteve acesso com exclusividade. Organizado pela historiadora Anna Maria Fausto Monteiro de Carvalho, a edição é vencedora do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, lançada em Salvador nodia 13/12,no Instituto Feminino da Bahia.
O livro traz uma análise destas edificações como parte de uma estratégia maior de ocupação planejada pelos jesuítas e que correspondia as pretensões de expansão territorial da Coroa Portuguesa. Afinal a ordem missionária fundada por Santo Inácio de Loyola, era “mais combatente que contemplativa”, como bem define Anna Maria. “A pesquisa atualizou estudos de referência geral sobre os Colégios de Jesus no Brasil realizados há quase quarenta anos”, diz.
Com 576 páginas, o livro está dividido em duas partes. A primeira delas Os jesuítas e o projeto de edificação portuguesa do Novo Mundo: ordenação e urbanização territorial; e a segunda O projeto edificativo dos jesuítas nos colégios reais do Brasil: arquitetura, escultura e pintura.
“É um livro que abre um horizonte novo, que perturba porque revela um mundo quase desconhecido, ou melhor, pouco conhecido. Compreende, na realidade, a estratégia de ocupação que os jesuítas seguiram no Brasil”, avalia o professor e historiador da PUC-Rio e Uerj, Antonio Edmilson Martins Rodrigues, no prefácio do livro.
Uma ação que se prolongou de maneira ininterrupta durante mais de dois séculos (1549-1759), construindo colégios, seminários, fazendas, engenhos, quintas e aldeamentos, conjugados a igrejas e capelas, em pontos estratégicos do país.
“O legado da atuação dos jesuítas permanece sensível na cultura brasileira, como fragmentos de uma história cuja lógica se perde, em parte, com a expulsão da Companhia, de Portugal e suas colônias, durante a política pombalina. De certo modo, esta é a História da Civilização Brasileira, uma história longa, inscrita na contradição de autonomias e dependências; de alianças e cismas; de progressos e desvios; de liberdade e escravidão; de pessoas e “gentios”, afirma Anna Maria.
Reconhecimento
Criado em 2003, o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares é uma iniciativa cultural do Grupo Odebrecht conferida anualmente a um projeto de pesquisa inédito que trate de tema ligado à história do Brasil. As pesquisas resultam na edição de livros de arte, que são distribuídos para bibliotecas e entidades públicas e privadas, do Brasil e de outros países. As obras já foram reconhecidas por seis prêmios Jabuti, um prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte – ABCA e um da Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA. Ao todo, foram 13 obras lançadas.
O gerente de Comunicação da Odebrecht na Bahia, Marcelo Gentil, lembra que o grupo foi pioneiro na adoção do patrocínio cultural ao lançar, em 1959, o livro Homenagem à Bahia Antiga. “É um compromisso apoiar e contribuir para a preservação do patrimônio cultural das comunidades e países onde atuamos”, destaca.
Texto:Márcia Moreira
Fonte: Jornal A Tarde
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