Em nova Carta Apostólica, Papa Leão XIV afirma que educar é promover a dignidade, a justiça e a confiança num mundo em conflito
Por ocasião do 60º aniversário da Declaração Conciliar Gravissimum Educationis, o Papa Leão XIV publicou, no dia 28 de outubro, a Carta Apostólica Desenhar novos mapas de esperança. O texto é um convite à Igreja e à sociedade para redescobrir a dimensão humana, ética e espiritual da educação em um tempo marcado por conflitos, desigualdades e rápidas transformações tecnológicas.
O lançamento ocorreu em Roma, durante o Jubileu do Mundo Educativo 2025, que reuniu milhares de educadores, estudantes e instituições católicas de mais de 70 países. O Brasil participou com uma comitiva da Associação Nacional de Educação Católica (Anec), que representa escolas e universidades comprometidas com a formação integral e a cultura do encontro.
Segundo o Pontífice, educar é um ato de esperança e de justiça, que deve sempre promover a dignidade de cada pessoa — “irredutível a um algoritmo ou a qualquer forma de automatização”. A Carta propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos da formação integral — intelectual, moral e espiritual — em meio à fragmentação cultural e ao enfraquecimento dos vínculos sociais. “A educação é o gesto mais humano e humanizador que possuímos”, escreve Leão XIV. “Nela se aprende a confiar e a ser confiável, a cuidar e a ser cuidado.”

Publicada em 1965, durante o Concílio Vaticano II, a Gravissimum Educationis é relançada e atualizada pelo Papa à luz dos debates atuais sobre inteligência artificial, novas tecnologias e desigualdade social. Leão XIV ressalta que as inovações ampliam as possibilidades de aprendizagem, mas também podem ameaçar a centralidade da pessoa e da relação educativa.
A Carta reafirma a família como o primeiro espaço educativo, onde se aprende o valor da vida e da convivência. O Papa também incentiva o trabalho em rede entre escolas, universidades, paróquias e instituições públicas, destacando que educar é uma missão compartilhada. “Não há educação verdadeira sem comunidade, nem formação autêntica que se isole”, afirma o texto.

O documento recorda grandes educadores cristãos como São João Bosco, Santa Giuseppina Bakhita e São João Batista de La Salle, que transformaram a fé em obras de instrução e libertação. Eles são apresentados como modelos de quem soube unir fé, saber e compromisso social.
No contexto do Jubileu do Mundo Educativo, Leão XIV convoca a comunidade global a “desenhar novos mapas de esperança”. O Papa alerta para a urgência de promover uma cultura da paz e do encontro, especialmente diante das guerras, crises ambientais e da desconfiança que afeta as novas gerações. “A educação deve ser uma resposta à violência e à desconfiança. Cada aula, cada gesto educativo, é um ato de resistência diante da indiferença”, afirma. Ao final, Leão XIV reafirma que educar é um ato de fé no futuro e faz um apelo para que comunidades católicas e instituições educativas renovem o pacto global pela educação, unindo fé, ciência e solidariedade.
Fontes: Anec e RJE
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