Em Companhia: “A liderança inaciana em tempos de mudança”
Leia o artigo do Secretário Executivo da Rede Jesuíta de Educação, Pedro Risaffi
Vivemos em um mundo contemporâneo líquido. Tudo o que era sólido, correto e verdadeiro, hoje, parece fluido, incerto e passageiro. Crises econômicas, exclusão social, degradação do meio ambiente, crises migratórias, desgaste das instituições públicas, colocam em cheque o modelo de sociedade que se consolidou desde a revolução industrial. A perda de credibilidade dos nossos líderes frustra o cidadão eleitor, desperta uma atitude blasé e individualista na sociedade e torna-se terreno fértil para o discurso radical e maniqueísta.
Assim como desafios do passado foram superados, urge a necessidade de novos líderes, capazes de conduzir a humanidade por meio dos desafios atuais. Não líderes que tragam soluções antigas para os novos problemas, mas líderes capazes de vislumbrar caminhos de transformação da nossa cultura e sociedade.
Mas o que a vida e os ensinamentos de um peregrino do século XVI podem nos dizer sobre liderança no século XXI?
O mais valioso que a experiência de Inácio pode nos ensinar, especialmente por meio dos Exercícios Espirituais, não é como um líder deve ser, mas como um líder deve se desenvolver.
Os Exercícios Espirituais são um caminho para preparar e dispor nossa alma para um profundo exercício de autoconhecimento, que é o alicerce da liderança, o ponto de partida para se eleger um propósito de vida. Ad Majorem Dei Gloriam é a definição convicta de Inácio que norteará qualquer escolha feita por ele e por outros jesuítas ao longo de suas vidas.
A base da inventividade é a “indiferença a todas as coisas”. Um indivíduo dominado por seus apegos, preso às ideias ou métodos antigos, não fará escolhas livres e, como resultado, não escolherá o que irá melhor servir a ele, à sua família e à sociedade. Somente os desapegados são livres e flexíveis para escolher a melhor forma de ação, tornando-se, assim, inventivos para responder aos desafios da atualidade.
Imbuídos de um propósito de vida, que surge do autoconhecimento, e livres de apegos desordenados, o desejo do magis nos impulsionará não só a alcançar um objetivo, mas também a buscar concretizá-lo da melhor forma possível. Somos desencorajados a realizar as coisas mediocremente, mas buscar “metas heroicamente ambiciosas”.
Por fim, para completar a formação do líder, na meditação conhecida como Contemplação para alcançar o amor, nos Exercícios Espirituais, Inácio nos instiga a contemplar o mundo no qual iremos realizar o nosso potencial, em uma atitude permanente de decisão pelo amor e pela liderança positiva e servidora, para “em tudo amar e servir”.
Acredito que seja esse estilo de líder que poderá curar um mundo ferido e conduzir-nos por meio dos desafios contemporâneos. “[…] homens e mulheres comprometidos com a reconciliação, capazes de superar os obstáculos que a ela se opõem e propor soluções”, conforme aponta a 36ª Congregação Geral dos Jesuítas.
Artigo presente na edição 39 do informativo “Em Companhia”.
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