ARTIGO – ‘Educar para além do conteúdo: o desafio nas relações humanas na escola contemporânea’, por Prof. Sérgio Silveira
Doutorando em Educação e especialista em Neurociência e Comportamento, diretor-geral do Vieira tem artigo publicado na revista Viver Vitória
Por Prof. Sérgio Silveira, doutorando em Educação, especialista em Neurociência e Comportamento; diretor-geral do Colégio Antônio Vieira
A educação sempre foi mais do que transmissão de conteúdos. Mas, em tempos de hiperconectividade, excesso de estímulos e rotinas aceleradas, essa verdade tornou-se ainda mais evidente. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade de concentração, convivência e equilíbrio emocional. Esse cenário tem impactado diretamente crianças, adolescentes, famílias e educadores.
Muitos pais percebem em casa sinais que também aparecem na escola: ansiedade, impaciência, dificuldade de lidar com frustrações e menor capacidade de atenção. Ao mesmo tempo, cresce entre os jovens a necessidade de pertencimento, escuta e vínculos mais significativos. Por isso, a educação do nosso tempo exige um olhar que vá além do desempenho acadêmico.
A neurociência educacional já demonstra que aprendemos melhor em ambientes emocionalmente seguros. O cérebro humano responde de forma mais positiva quando há acolhimento, previsibilidade, respeito e relações saudáveis. Em outras palavras: emoções e aprendizagem caminham juntas. Isso não significa reduzir exigências ou abrir mão da disciplina, mas compreender que o desenvolvimento integral dos alunos passa também pela formação emocional, ética e cidadã. A escola precisa continuar ensinando conteúdos, mas precisa igualmente ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem equilíbrio, empatia, capacidade de diálogo e consciência de si.
EMOCIONALMENTE PRESENTES
Nesse processo, a parceria entre escola e família torna-se essencial. Os estudantes precisam perceber coerência entre os valores vividos em casa e aqueles cultivados no ambiente escolar. Escuta, limites, presença e diálogo continuam sendo ferramentas fundamentais na formação humana.
Vivemos uma época em que as tecnologias ocupam espaço central na vida cotidiana, mas nenhuma inovação substitui a força das relações humanas. Crianças e adolescentes necessitam de adultos emocionalmente presentes, capazes de orientar, acolher e educar pelo exemplo.
É preciso formar jovens academicamente competentes, mas também emocionalmente conscientes, preparados não apenas para obter resultados, mas para construir relações saudáveis, lidar com adversidades e encontrar sentido em suas trajetórias. Afinal, educar continua sendo, acima de tudo, um ato profundamente humano.

*Prof. Sérgio Silveira é pedagogo, doutorando em Educação, mestre em Gestão Educacional, especialista em Neurociência e Comportamento e, também, em Gestão de Pessoas. É diretor-geral do Colégio Antônio Vieira, em Salvador, e conselheiro da Associação Nacional da Educação Católica do Brasil (Anec-BA).
Artigo publicado na Revista Viver Vitória, lançada em agosto de 2026.
Imagens: Secom/CAV e banco de imagens
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