ARTIGO – Capacitismo: o preconceito estrutural que gera barreiras, alerta Luca Andrade
Integrante do Naic, estudante do Vieira aborda atitudes equivocadas em relação às pessoas com deficiência
Estudante do Colégio Antônio Vieira, Luca Andrade integra o Núcleo Acadêmico de Incentivo ao Conhecimento (Naic) do colégio, juntamente com outros estudantes que pesquisam temas em pauta na sociedade contemporânea. Mas, antes mesmo de passar a fazer parte do núcleo, Luca, que é uma pessoa com deficiência (PCD), já buscava, até por conta de suas vivências, orientar outras pessoas sobre o preconceito estrutural enfrentado pelas PCDs no dia a dia. Em linguagem clara e direta, ele traz o assunto neste artigo, difundindo conhecimento e evitando a perpetuação de práticas equivocadas. Confira!
Capacitismo: o preconceito estrutural que gera barreiras
Como atitudes do dia a dia podem reproduzir preconceitos sem que percebamos

Por Luca Andrade, estudante do Vieira, integrante do Naic
Capacitismo é o preconceito contra as pessoas com deficiência. Embora seja uma expressão recente, o preconceito ocorre há séculos. No período colonial brasileiro, por exemplo, evidenciavam-se práticas de capacitismo, quando os povos originários adotavam o ato do abandono aos indígenas com deficiência da época, utilizando como justificativa que esses indígenas com deficiência seriam um ‘’problema’’ para a tribo e que ‘’atrapalhariam’’ o desenvolvimento dela.
O capacitismo se manifesta através de atitudes, frases e expressões estigmatizantes, estereótipos, crenças limitantes e perguntas capacitistas. Além do mais, essa mazela social se baseia na teoria da corponormatividade, que diz que existe um padrão corporal ‘’normal’’ e ‘’perfeito’’, tratando os corpos com deficiência como ‘’inferiores’’ em relação aos sem deficiência. Para além disso, o capacitismo também está atrelado ao conceito ultrapassado de deficiência, que, equivocadamente, trata a deficiência como se fosse algo a ser ‘’consertado’’ e que foca apenas na deficiência, desconsiderando, assim, a pessoa, retirando a dignidade humana dela e perpetuando estereótipos.
Já parou para pensar que uma atitude sua ou uma fala pode reforçar estigmas? Pois é, tratar com pena, infantilizar, se referir apenas a quem está acompanhando a pessoa com deficiência, utilizar diminutivos exageradamente ao conversar, tratar de maneira diferente, ajudar a pessoa com deficiência sem que ela tenha solicitado, superproteger são algumas atitudes capacitistas e que perpetuam um sistema que, historicamente, exclui e invisibiliza, mantendo, assim, pensamentos discriminatórios e pejorativos na sociedade.

EXPRESSÕES CAPACITISTAS
A fala também contribui para a perpetuação da discriminação. Ao utilizar expressões como “coitadinho”, “portador de deficiência” e “pessoa deficiente”, pensamentos capacitistas são perpetuados, como por exemplo, o de achar, erroneamente, que pessoas com deficiência são pessoas coitadas. O termo correto para se utilizar é pessoas com deficiência. Todas essas atitudes e expressões listadas são capacitistas, pois tratam as PCDs (pessoas com deficiência) como se fossem inferiores e como se fossem pessoas incapazes, fazendo com que crenças limitantes se mantenham. Outra atitude que precisa ser eliminada é a de subestimar as capacidades das pessoas com deficiência, como se fossem pessoas incapazes de realizar atividades do dia a dia como, por exemplo, estudar, trabalhar, namorar entre outras tarefas. Nós podemos, sim, namorar, estudar etc. Deficiência não define ninguém.

Assim como outras formas de preconceito, como o racismo e o machismo, o capacitismo também é estrutural, ou seja, não acontece de forma isolada, individual, com apenas uma ou duas pessoas. Ele advém de uma estrutura que naturalizou práticas excludentes e que, até hoje, são presentes. Por essa razão, evidencia-se a necessidade de combatê-lo. É importante, portanto, lutar contra o capacitismo, estimulando outras pessoas a também mudar atitudes, fazendo com que, juntos, transformemos a sociedade, para que seja mais inclusiva, respeitosa, anticapacitista e igualitária.
Imagens: Secom/CAV e banco de imagens
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