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Uma história colada na outra

No dia em que se comemora os 468 anos de Salvador, vamos relembrar alguns fatos que marcam a trajetória de 106 anos do Colégio Antônio Vieira na primeira capital do Brasil

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Uma história colada na outra

Por Marília Ramos*

 

Falar sobre o Colégio Antônio Vieira é também falar sobre a história de Salvador. "O colégio sempre teve uma relação muito estreita com a Bahia. Os jesuítas estavam presentes quando da fundação de Salvador", pontua Waldir Pires de Oliveira, autor do livro sobre os 100 anos do Colégio Antônio Vieira. Nomes de grande expressão na Bahia e no Brasil tiveram sua formação no Colégio Antônio Vieira, como o antropólogo Thales de Azevedo; os escritores Jorge Amado e Pedro Calmon, os educadores Anísio Teixeira e Luiz Augusto Fraga Navarro de Brito; dos governadores Antônio Balbino de Carvalho Filho e Roberto Santos; o primeiro ministro Hermes da Silva Lima, os políticos Lauro Farani Pedreira de Freitas, Nelson de Sousa Carneiro e Orlando Moscozo Barretto de Araújo.

Em poucos anos o Colégio Antônio Vieira se tornou um dos mais afamados, no Brasil, para meninos. "A sua disciplina, formação religiosa e ensino firmaram um conceito tão elevado que era motivo de orgulho, numa família de recursos ou da classe média, ter um filho Vieirense", conforme relata o ex-aluno Octávio de Aragão Bulcão em seu livro “O Colégio Antônio Vieira do Meu Tempo”.

No entanto, as condições das instalações da sede na Rua Coqueiros da Piedade não eram apropriadas para o campo de futebol, daí surgiu a área do Garcia, que alcançava todo o Vale da Centenário. A mudança do Colégio Antônio Vieira para o Garcia ocorreu numa época em que ainda era uma área conhecida como Fazenda Garcia onde somente existiam roças. "Com o dinheiro da venda da sede da Piedade, a área comprada foi muito grande, bem maior que a hoje existente e foi um excelente negócio para os jesuítas que tinham, na época, grande prestígio na sociedade e conseguiram que, por preços módicos, o Sr. Emilio Odebrecht construísse o prédio monumental, o mesmo que existe até hoje, embora com muitas ampliações", relata o historiador Waldir Freitas. 

Em meados de 1932, o padre Cabral, então diretor do colégio, anunciou uma nova mudança de sede, onde o colégio passou a funcionar em 1933. No local onde hoje está o Vieirinha era tudo roça, onde eram criados porcos e galinhas e havia horta para verduras, além de muitas árvores frutíferas. A maior parte dos seus habitantes era formada por pessoas pobres e havia uma enorme favela no lugar chamado Curva Grande (onde hoje está o Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues). "Em redor da Curva Grande não havia nenhum prédio de muitos andares, apenas casas de um ou dois andares. O único prédio alto era o Vieira, construção admirável para aquela época. As fachadas não eram revestidas de pastilhas", descreve Waldir.

As salas amplas e ventiladas possuíam um estilo moderno que proporcionava maior conforto para os alunos e os pais. Naquele tempo, o principal meio de transporte era a pé ou de bonde, então os estudantes saltavam no Campo Grande e caminhavam rumo ao colégio. Tempos depois no bairro do Garcia também se instalou o Colégio das Sacramentinas, cujas alunas alegravam o percurso dos alunos do Vieira. O Vieira também participava dos grandes eventos da cidade, a exemplo do desfile da Independência do Brasil. Toda a equipe do colégio, tanto os professores como os jesuítas, leigos e mais de mil alunos vestiam um elegante uniforme e orgulhosamente marchavam da Av. Leovigildo Filgueiras até o Campo Grande e Av. Sete de Setembro.

Além dessas comemorações em datas como 2 de julho e 7 de setembro, a vida cultural de Salvador não era muito movimentada. O Colégio Antônio Vieira também proporcionou encontros sociais e culturais durante as apresentações musicais e cênicas que realizava, a exemplo das peças “O anjo da paz, O caboclo de Sevilha”, “O auto da Independência”, entre outras. Esses eventos contavam com a participação das famílias dos estudantes, representantes do clero e da vida política da cidade, constituindo um momento de participação ao tempo em que divulgava o ideário cristão e os princípios inacianos. 

No que se refere à musica, vale destacar também a criação da orquestra Sinfônica da Bahia, em 1943, pelo padre Luiz Gonzaga Mariz, SJ. A ideia surgiu depois de um concerto realizado na base americana durante a 2ª Guerra, na Estrada Velha do Aeroporto, quando um deles perguntou quando começaria a temporada de concertos. Foi então que Pe. Mariz teve a ideia de montar a orquestra.

 

*Matéria publicada originalmente no caderno especial lançado pelo Jornal A Tarde durante as comemorações do centenário do Colégio Antônio Vieira.

 

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