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Especial Revista Vieirense: "Escrever o mundo"

De Jorge Amado aos dias atuais, a escrita é parte fundamental do processo de formação humana e acadêmica no Vieira

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Especial Revista Vieirense:

Na obra “O menino grapiúna”, lançada em 1981, o ilustre viei­rense Jorge Amado traz memó­rias importantes da sua infância. Além do pai, João Amado de Fa­ria, e da mãe, dona Eulália, ele recorda também de outros per­sonagens centrais que contribu­íram para sua formação pessoal e de escritor: o tio Álvaro, mo­delo dos coronéis presentes em sua ficção; o caboclo Argemiro, que colocava o menino na sela e o levava a Pirangi nos dias de fei­ra, além do padre Cabral, jesuíta que o apresentou ao mundo li­terário e à beleza da língua por­tuguesa, quando o então garoto estudava no Vieira como aluno do internato.

Anísio Teixeira, Hermes Lima, Thales de Azevedo, dentre mui­tos outros vieirenses, também marcam a nossa sociedade pelas linhas dos seus textos. O incentivo à escrita é uma mar­ca do Vieira, não apenas para o mercado de trabalho, mas tam­bém com o objetivo de pensar o mundo em que vivemos. Toda essa trajetória começa ainda no Ensino Fundamental, tendo como uma das metas principais a formação do lei­tor e do escritor competente, respeitando as características da faixa etária e trazendo, de forma didática, a prática dos gêneros textuais do cotidiano.

As alunas e escritoras, Ludmilla Fraga e Clara Leibrei­ch, representam a continuidade dessa história de amor à escrita. Aos 9 anos, em 2013, Clara lançou o seu primei­ro livro de poemas intitulado “Flor que se cheira”. Já Ludmilla, aos 6, publicou o livro narrativo “Dois bichinhos do barulho”. “As obras que lemos, durante o ano letivo, trazem conhecimentos que despertam a nossa vontade de conhecer mais sobre vários assuntos. Recentemente, a minha turma leu sobre racismo e eu senti vontade de saber mais sobre esse tema. É um incenti­vo para que a gente pesquise e, a partir do momento em que a gente passa a ter uma opi­nião, faça com que exista uma inspiração para escrever”, des­taca Ludmilla Fraga.

A mãe de Ludmilla, Leila Fraga, ressalta a importância da parce­ria entre a escola e a família nes­se processo de incentivo à escri­ta. “O projeto ‘Asas de Papel’, do 2º ano EF, em que o aluno leva o livro para casa e depois conta para a turma o que ele entendeu da história, é uma forma de des­pertar a curiosidade e a vontade de ler. Eu vivi essa experiência com meus dois filhos e foi algo maravilhoso. Como mãe de uma aluna do Fundamental II, perce­bo que há um fomento para que os alunos estejam atualizados com importantes temas, trazen­do as suas percepções. Esse co­nhecimento muda as atitudes, a forma de agir, o cuidado com os colegas e o respeito com o pro­fessor. O livro e a leitura constan­te fazem o ser humano diferente e cada vez melhor”, pontua.

Muitos são os caminhos que conduzem os vieirenses para o processo de excelência na escrita. Projetos de cunho lite­rário, como o “Asa de Papel”, o “Tesouro da Leitura”, “Fábulas”, o fomento ao contato espon­tâneo com a biblioteca do Viei­ra, a oportunidade de partici­par de encontros com autores, além da atividade de contação de histórias, como “A Hora do Conto”, são diferenciais que impactam no desejo de criação literária dos estudantes.

No Ensino Fundamental, o tra­balho de leitura é voltado para gerar encantamento e inspirar o surgimento de escritores. É um trabalho integrado de leitura e escrita desenvolvido em diversos gêneros. A culminância desse trabalho no Ensino Fundamental I acontece com o projeto ‘Cria­ções Infantis’, em que cada tur­ma lança um livro com poemas escritos ao longo do ano. É um trabalho rico que não é fomen­tado apenas nas aulas de língua portuguesa, pois os alunos mer­gulham no universo da leitura e do conhecimento, ampliando o repertório e estudando vários te­mas em diversas disciplinas. Isso embasa os estudantes para que eles possam se sentir encoraja­dos e, principalmente, estimula­dos a escrever, soltando a imagi­nação e a criatividade.

 

Excelência em primeiro lugar

O cuidado com a qualidade da produção textual tem sido uma prioridade também no Ensino Médio. Prova disso é a exten­são da carga horária na 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, através da Oficina ENEM de Habilida­des e Competências, realizada no turno oposto. “Atualmente, a produção textual tem o mes­mo peso das 180 questões, cor­respondendo a toda matriz de referência do ENEM. Na nota divulgada pelo INEP em 2015, dentro do contexto desenvolvi­do pelo órgão, que leva em con­sideração os 30 melhores alu­nos, ficamos em primeiro lugar em redação na capital baiana, com a nota 958. Isso mostra o cuidado de dar uma excelência para a produção textual. O de­sempenho do Vieira nesse que­sito, de 2012 a 2014, cresceu quase 20%”, avalia a coordena­dora pedagógica da 3ª série EM, professora Ana Paula Marques. Esses resultados são frutos de uma forte relação de parceria e confiança entre os alunos, as famílias e o Vieira.

Em 2016, pelo segundo ano consecutivo, a redação do ENEM trouxe uma temática discutida em sala de aula e am­pliada pelos alunos da Acade­mia Vieirense de Letras (AVLA) em parceria com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares so­bre Minorias Sociais (NEIMS), através do projeto “SobreVIDAS SEVERINAS”, realizado entre os meses de setembro e outubro. “Assim que eu abri a prova, tive uma surpresa muito positiva. Trouxemos esse tema para o debate, pois acreditamos que a intolerância religiosa no Bra­sil precisava ser discutida. Ti­vemos a sensação de dever cumprido, pois é uma validação dessa iniciativa”, destacou a aluna e integrante da AVLA, Ana Lívia Teixeira.

A professora Ana Paula Mar­ques destaca que o expressivo resultado que o Vieira tem al­cançado na produção textual é fruto de uma relação entre leitura e produção constantes. “No último ano do Ensino Mé­dio, os alunos já vêm com uma caminhada de escrita. Fazemos um aprofundamento com mais produções. Trabalhamos com o que cada uma das cinco com­petências exige e como conse­guir a pontuação máxima em cada uma delas, aprimorando o texto”, pontua.

Ana Paula também ressalta que o fato do Vieira dar abertura e suporte para que os estudantes possam discutir as temáticas do tempo presente, muito além da sala de aula, reforça o trabalho feito em redação. “Não adianta apenas ensinar a técnica se não promovermos no aluno o olhar crítico, a conscientização e a capacidade de analisar a reali­dade em busca da sua própria transformação”, finaliza ela.

 

Você pode encontrar essa e outras matérias na edição 2016/2017 da Revista Vieirense.

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