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08h00

"A Companhia é união em Cristo"

Leia o artigo do presidente da CPAL, Pe. Roberto Jaramillo Bernal, SJ

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Não há nenhum campo humano vetado para os companheiros de Jesus. Onde quer que seja possível reconhecer e trabalhar pela dignidade das pessoas e das comunidades para crescermos juntos à medida da imagem que é Cristo Jesus, pode haver um jesuíta exercendo a sua vocação: colaborar na missão do Cristo.

Toda realidade humana é lugar teológeno: onde a Divindade aparece e manifesta-se. Por isso, pode ser, também, um lugar teológico: onde o divino é experimentado e compreendido; e, ao mesmo tempo, um lugar pastoral: onde a fraternidade manifesta-se no serviço de uns e outros. Essa especial densidade da nossa vida baseia-se no mistério da encarnação: Deus, em sua incompreensibilidade absoluta, manifesta-se na limitação de nossas culturas, histórias, pessoas e povos. O mistério revelado, o continente contido, o infinito limitado, o Outro feito próximo.

Essa é uma dinâmica divina que excede nossa compreensão e que requer de nós, diariamente, o melhor dos recursos espirituais que temos: uma experiência positiva da realidade — Princípio e Fundamento —, a prática constante de discernir o Espírito — desejar e escolher — e uma atitude de reconhecer que tudo é dom e graça — contemplação na ação.

A 36ª CG (Congregação Geral) foi inspirada pela lembrança de que Santo Inácio e os primeiros companheiros, durante a sua estada em Veneza (Itália), “não ficaram sempre juntos”, mas, sim, dispersaram-se, assumindo tarefas diferentes; e de que, em meio a essa dispersão e multiplicidade de tarefas e carismas, “viveram a experiência de formar um único grupo e de permanecerem unidos no seguimento de Cristo”. E continua: “também nós, jesuítas de hoje, nos entregamos a variadas formas de apostolado que, com frequência, exigem especialização e consomem energia, mas, se nos esquecemos de que somos um corpo, unido em e com Cristo, perdemos nossa identidade como jesuítas e a capacidade de dar testemunho do Evangelho. Mais do que nossas competências e habilidades, o que dá testemunho da Boa Nova é a união entre nós e com Cristo” (No. 7).

Temos o desafio de fazer com que nossa missão seja concreta em ações, propostas, projetos, instituições que promovam, ajudem e demonstrem, com fatos e palavras, o que Deus quer que aconteça entre os homens. Esse serviço, se for segundo o Espírito, produz e alimenta-se, ao mesmo tempo, de uma dinâmica consciente de identificação pessoal e comunitária com Jesus Cristo. Dinâmica que não é somente nem principalmente conteúdo, ideia, metodologia, mas, sim, presença, conversão, libertação, mistério de salvação, que instaura nova relação entre as pessoas, com as coisas e com Deus.

Nada disso acontece sem oração pessoal séria, profunda, preparada, avaliada; nada disso acontece sem um exame consciente de nossas atitudes e decisões cotidianas; nada disso acontece se não houver celebração comum da fé. É ali onde está em jogo a fidelidade à vocação para a qual fomos chamados e, em última instância, a nossa felicidade e nosso testemunho de vida. Estou convencido de que o maior desafio que temos, pessoal e comunitariamente, neste mundo atual — e digo isso como uma confissão de minha própria experiência frágil e pecadora— é a recuperação, caso seja necessária, e a manutenção cotidiana de uma experi- ência profunda de oração, de exame, de celebração da fé.

A Companhia de Jesus é uma União e não uma Unidade, costumava insistir o Pe. Kolvenbach. Pois bem, somente se permanecermos ativamente unidos em e com Cristo, poderemos ser verdadeiramente Companheiros de Jesus.

 

Pe. Roberto Jaramillo Bernal, SJ

Presidente da CPAL

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