PÁSCOA

Páscoa... Campanha da Fraternidade... Centenário do Colégio... São 3 eventos que, no início deste ano letivo, se apresentam à nossa reflexão de forma intensa e que exigem de nós uma vivência que ajude o crescimento pessoal e de toda a comunidade educativa.

Apresento, portanto, uma breve e sucinta introdução sobre cada um dos temas indicados no intuito de estimular, nos diversos setores do Colégio, o desejo de um mais amplo aprofundamento.
    1.     Estamos vivendo o tempo da Quaresma, período de 40 dias que a Igreja nos proporciona para uma preparação adequada em vista da celebração da festividade da Páscoa. Nesta festa proclamamos que a nossa fé está fundamentada em um Deus Vivo. Jesus Cristo passou, sim, pela experiência da morte (e relembramos este momento na sexta feira santa), mas a nossa fé não teria sentido nem fundamentação se não tivesse participado, em seguida, da experiência da Ressurreição. O nosso viver cotidiano só tem sentido à luz da vida. O nosso agir só tem sentido para proporcionar vida a nós mesmos e aos outros. Por este motivo, o tempo quaresmal é marcado por um apelo à conversão e mudanças, através da intensificação da vida de oração, dos atos de generosidade e caridade, e da prática do jejum quaresmal. Em que pode consistir, hoje, este jejum? Mais do que jejum alimentar, há tantas outras formas que podemos assumir:
Jejuar de julgar outras pessoas.
Jejuar de palavras e ações ofensivas e agressivas.
Jejuar do pessimismo e desânimo.
Jejuar de tristezas e amarguras.
Jejuar do pecado e do mal.
Jejuar de rancores e ódios. Jejuar de tudo o que nos afasta de Deus e prejudica a convivência harmoniosa com outras pessoas.
Compensar este jejum com palavras de acolhida e com o cuidado.
Alimentar-se com sentimentos de gratidão, de esperança e otimismo.
Fartar-se de confiança e fé.
Encher-se de compaixão pelos outros e de reconciliação.
Viver mais intensamente a comunhão no seio familiar.
Intensificar a prática da oração... e assim por diante.
             Cada pessoa sabe do que é necessário privar-se, quais as mudanças necessárias, em que pode melhorar... e como preencher o vazio que, às vezes, nos acompanha. Desejo, de coração que possamos intensificar esta prática de “jejum”. Com certeza, poderemos festejar uma vida nova, em comunhão com Deus Vivo e com os demais. Desde já uma Feliz Páscoa de Ressurreição!
    2..     Neste tempo de Quaresma a Igreja nos proporciona, também a Campanha da Fraternidade. Neste ano, a Campanha, realizada em conjunto com as outras igrejas cristãs, visa a fortalecer os laços de fraternidade e de cooperação a serviço da transformação da sociedade brasileira para que seja mais justa e solidária. O tema de 2010 é, de fato: “Economia e Vida”. Toda exclusão do acesso aos bens necessários à vida digna, também, é ofensa a Deus e prejuízo de vida.
             O sistema econômico deve visar ao bem comum. Recebemos os bens para a vida e não a vida para a riqueza. A recente crise financeira e econômica, que afetou o mundo inteiro, demonstrou mais uma vez que a economia sem critérios éticos tem como conseqüências a pobreza e o sofrimento de muitas pessoas. A atividade econômica, que tem como objetivo supremo, em vez do suprimento das necessidades básicas do ser humano, o lucro a qualquer preço e o acúmulo sempre maior de bens, gera  multidões de famintos, excluídos das condições necessárias para a vida, obrigados, muitas vezes, a deixar seus países de origem na luta pela sobrevivência.
             O sistema econômico que privilegia a produção e o consumo de supérfluos se torna uma grave ameaça à sustentabilidade da vida no planeta Terra. Hoje percebemos, de forma mais evidente, que somos todos interdependentes. Todos temos que aprender a viver de maneira mais sóbria, assimilando sempre mais a ética do cuidado.
             O lema da Campanha da Fraternidade afirma “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (MT 6,24). É uma das frases proferidas por Jesus Cristo, quando adverte contra o apego ao dinheiro, que pode tornar-se um empecilho para acolher de coração livre e desimpedido a proposta de Deus. O amor servil ao dinheiro leva à prática da avareza e do egoísmo; pode transformar-se em verdadeira idolatria, levando o homem a sacrificar tudo, mesmo os valores éticos, a própria dignidade e a de outras pessoas.
             Na vida do Colégio encontramos tantas oportunidades (o cotidiano escolar, o relacionamento com pessoas e com as coisas no Colégio, o conteúdo das aulas...) para ajudar, também, os nossos alunos a uma re-educação para o consumismo. Não podemos continuar a dar mais valor às coisas do que às pessoas.
    3.     Enfim, o centenário do Colégio. A partir do próximo dia 15 de março ( veja programação em anexo) o Colégio inicia a vivência do ano do centenário que será completado em 15 de março de 2011. Como viver este ano? Em primeiro lugar, com um sentimento de muita gratidão. Reconhecer a contribuição e agradecer por tantas pessoas que nestes 99 anos ajudaram a construir uma história tão bonita. Quantos funcionários, de todos os setores, quantos professores, quantos jesuítas, quantos alunos, que por aqui passaram, colocaram, dia após dia, seu tijolinho, para que o Colégio Antônio Vieira pudesse chegar a esta idade em boa saúde, estimado e reconhecido, sempre fiel a seus princípios educacionais. A sociedade baiana continua confiando, cada vez mais, seus jovens à nossa Instituição.
             Desejo, também, que este ano possa ser vivido com um sentimento de renovada responsabilidade e compromisso. Cabe a nós dar prosseguimento, com fidelidade e criatividade, a esta obra e a esta missão.
             Que seja, ao mesmo tempo, um ano carregado de amor e de ternura. Quero manifestar, portanto, em meu nome pessoal, a confiança e a alegria de tê-los(as) como companheiros(as) de caminhada nesta missão tão bonita, que supera, e de muito, toda e qualquer dimensão meramente profissional.
             Posso afirmar, com muita serenidade, que muitas pessoas contribuíram para o crescimento do Colégio. Da mesma forma, o Colégio Antônio Vieira contribuiu para o crescimento de muitas e muitas pessoas.
             A todos a gratidão e reconhecimento da Companhia de Jesus.
              
Pe. Domingos Mianulli SJ
diretor